O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou no dia 1º de maio para manter válida uma lei do Espírito Santo que permite que pais ou responsáveis proíbam a participação de estudantes em atividades escolares sobre identidade de gênero e orientação sexual. A Lei nº 12.479/2025 assegura às famílias o direito de decidir que seus filhos não participem de atividades escolares sobre identidade de gênero e orientação sexual, tanto em escolas públicas quanto privadas. Ao apresentar seu voto no plenário virtual, Mendonça afirmou que a lei não proíbe que escolas tratem desses temas. Segundo ele, ela apenas garante que as famílias possam decidir quando crianças e adolescentes terão contato com assuntos que, na visão dos responsáveis, podem entrar em conflito com seus valores pessoais. O posicionamento do ministro diverge do entendimento da relatora, ministra Cármen Lúcia, que votou pela inconstitucionalidade da lei. Para ela, o estado ultrapassou sua competência ao legislar sobre diretrizes e bases da educação, atribuição exclusiva da União. Mendonça, por sua vez, argumenta que a norma trata da proteção à infância e à juventude, e não da definição de conteúdo curricular. Em sua avaliação, a medida amplia a participação dos responsáveis no processo educacional, sem impedir que outros alunos tenham acesso ao conteúdo. O ministro também ressaltou que a lei não configura censura prévia, uma vez que não proíbe a realização das atividades pedagógicas. Já a relatora sustenta que a restrição pode comprometer o pluralismo de ideias no ambiente escolar, além de ferir o dever do Estado de promover inclusão e combater a discriminação. O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e segue em andamento. Os demais ministros têm até o dia 11 de maio para registrar seus votos.
Judeu perdoa terrorista que matou seu pai durante ataque em praia da Austrália
Um judeu surpreendeu a comunidade australiana ao decidir perdoar o terrorista que matou seu pai durante o ataque na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália. Ya’akov Tetleroyd e seu pai, Borris Ya’akov Tetleroyd, estavam participando do festival judaico Hanukkah, na praia de Bondi, quando dois atiradores iniciaram o massacre. Borris foi uma das 15 vítimas mortas no atentado, em 14 de dezembro de 2025. Tetleroyd viu seu pai ser baleado e morto do seu lado. “Neste mundo lamentamos, esse é o jeito do mundo, lamentamos, e é algo triste e trágico”, disse ele, em entrevista à CBN News. O judeu também foi atingido, mas sobreviveu. “Depois que fui baleado, estava sangrando muito, muito, muito”, lembrou. Semanas após o massacre, Tetleroyd decidiu liberar perdão ao terrorista que assassinou seu pai para não criar raíz de amargura em seu coração. A atitude surpreendeu a comunidade judaica em Sydney e os australianos em geral. “Quero estar cheio de raiva? Quero ficar ressentido? Não. A resposta para essas perguntas é não. Porque não é assim que se vive uma vida. Há uma ideia que diz: ‘Quem não perdoa queima a ponte que ele mesmo deve atravessar’”, explicou o judeu. Ele declarou que sua fé judaica o ensinou a não responder ao ódio com mais ódio. Mesmo ainda enfrentando a dor do luto, Tetleroyd continua trilhando sua vida. “Deus quer que eu viva, e acredito que Deus quer que eu seja feliz, alegre e livre”, ressaltou ele. Antissemitismo aumentou 387% na Austrália Segundo um relatório divulgado pela Organização Sionista Mundial e pela Agência Judaica para Israel, os incidentes antissemitas aumentaram aumentaram 387% na Austrália, entre 2022 e 2024. Além disso, o antissemitismo na Austrália teve um aumento de 600% após o ataque terrorista ocorrido durante o Hanukkah na praia de Bondi, em Sydney. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Diáspora e do Combate ao Antissemitismo de Israel. Segundo o levantamento, nos dois dias seguintes ao massacre, houve uma escalada significativa de manifestações de ódio contra judeus, incluindo episódios de violência física e verbal em espaços públicos. Antes do atentado terrorista, cerca de 3.000 publicações com menções antissemitas eram registradas diariamente nas redes sociais na Austrália. No dia do ataque, esse número saltou para 17.100 postagens, representando um aumento de 420%. No dia seguinte, o volume ultrapassou 21.500 publicações, registrando um crescimento de 600%. De acordo com o Jewish News Syndicate, cerca de 117 mil judeus vivem na Austrália, representando menos de 0,5% da população. A maioria da população judaica (85%) vivem em Sydney e Melbourne.
Arqueólogos descobrem estátua atribuída ao faraó que teria desafiado Moisés no Êxodo
Arqueólogos no Egito anunciaram a descoberta de uma enorme estátua que, segundo especialistas, representa o faraó Ramsés II, frequentemente associado ao relato do Livro de Êxodo no Antigo Testamento. A estátua foi encontrada no sítio arqueológico de Tel Pharaoh, localizado na região central de Husseiniya, na província de Sharqia, no Delta do Nilo, a nordeste do Cairo. A descoberta foi divulgada pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito em 22 de abril. Segundo as autoridades, trata-se de uma peça considerada “notável” pelo seu tamanho, com peso estimado entre 5 e 6 toneladas e mais de 2 metros de comprimento. Estátua de 5 a 6 toneladas e mais de 2 metros de comprimento atribuída a Ramsés II. (Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades) Apesar da relevância, a estátua apresenta danos significativos, estando em um “estado de conservação relativamente precário”, com ausência das pernas e da base. Ainda assim, os especialistas apontam que o artefato é “provavelmente representando o Rei Ramsés II”, um dos mais poderosos governantes do Egito durante o período do Novo Império. Nascido em 1303 a.C., ele é frequentemente citado por estudiosos como possível faraó mencionado no livro bíblico do Êxodo – embora o texto não cite nomes diretamente – e considerado um dos governantes egípcios mais influentes e poderosos do período do Novo Império. De acordo com a tradição, Ramsés II teria resistido aos pedidos de Moisés para libertar o povo hebreu, o que teria resultado nas conhecidas pragas do Egito. O faraó morreu em 1213 a.C. Reprodução da pintura de Ramsés II. (Imagem ilustrativa gerada por IA) O pesquisador Mohamed Abdel Badie, do departamento de antiguidades do Egito, explicou que há indícios de que a estátua tenha sido deslocada ainda na antiguidade. “Estudos preliminares indicam que a estátua foi transportada na antiguidade da cidade de Pi-Ramesses para o sítio de Tel Pharaoh, conhecido na antiguidade como ‘Imet’, para ser reutilizada em um dos complexos religiosos, refletindo a importância religiosa e histórica do local em diferentes períodos”, afirmou. O comunicado oficial também destacou o valor histórico do achado, classificando-o como “uma das importantes peças arqueológicas que lançam luz sobre aspectos da atividade religiosa e real na região leste do Delta”. Após a descoberta, a peça foi retirada do local para preservação. “Como parte dos esforços para preservar essa descoberta, a estátua foi imediatamente transferida, após sua descoberta, do interior do complexo do templo para o depósito do museu na área de San El-Hagar”, informou o ministério. Segundo o órgão, a remoção visa preparar a peça para intervenções técnicas. A medida foi adotada “em preparação para o início de trabalhos de restauração precisos e urgentes, de acordo com os mais altos padrões científicos seguidos na conservação e preservação de antiguidades”. A descoberta integra uma série recente de achados arqueológicos no Egito. No fim de março, autoridades anunciaram a identificação de oito raros rolos de papiro com cerca de 3 mil anos, cujo conteúdo ainda não foi revelado. Outro destaque foi a revelação das ruínas de um complexo religioso no norte do Sinai, em uma área frequentemente associada a cidades mencionadas no Antigo Testamento, ampliando o interesse acadêmico e histórico na região.
Grupos pró-vida pedem oração às igrejas diante da expansão do aborto na Holanda
Doze organizações holandesas pró‑vida divulgaram uma carta conjunta dirigida a todas as igrejas do país – protestantes e católicas – manifestando preocupação crescente com as recentes mudanças na política de aborto no país. No documento, enviado nesta semana, os grupos pedem que as comunidades cristãs intensifiquem a oração, promovam formação sobre o tema e assumam um papel mais ativo na defesa dos nascituros. O alerta das organizações se apoia, entre outros fatores, no forte aumento do número de abortos no país. Desde 2022, os procedimentos cresceram 27%, totalizando 39.438 em 2024 – uma média de 758 por semana. Acesso ao aborto As entidades também destacam a recente ampliação do acesso ao aborto no país. Entre as mudanças citadas estão o fim do período obrigatório de cinco dias de reflexão, revogado em 2023; a autorização para que clínicos gerais prescrevam a pílula abortiva, prevista para entrar em vigor em 2025; e, desde 23 de março de 2026, a possibilidade de solicitar a receita pela internet, com exigência reduzida de contato presencial com um médico. Segundo os grupos, essas mudanças deixam especialmente expostas mulheres em situação de vulnerabilidade e seus bebês não nascidos. Acompanhamento pastoral e oração As organizações destacam que, no debate público, o aborto costuma ser tratado quase exclusivamente sob a ótica da autonomia da mulher, enquanto o nascituro permanece praticamente ausente da discussão. Essa abordagem unilateral, afirmam, pode influenciar a forma como cristãos passam a enxergar o tema. Por isso, os grupos pedem que as igrejas abordem a questão de maneira mais ampla em suas comunidades, oferecendo informação clara, acompanhamento pastoral e momentos de oração. Ação das igrejas As organizações também detalham uma série de ações que, segundo avaliam, poderiam ser adotadas pelas igrejas. Entre elas estão orações pelas mães, pelos pais e pelo fim da prática do aborto; apoio pastoral e diaconal a mulheres que enfrentam uma gravidez não planejada; atividades educativas por meio de encontros congregacionais ou reuniões de jovens; além da organização de coletas e da participação em iniciativas públicas, como vigílias e a Marcha pela Vida. Movimento pró‑vida As doze organizações que assinam a carta compõem o núcleo do movimento pró‑vida na Holanda e representam um amplo espectro cristão – de grupos protestantes a católicos romanos – atuando em áreas como educação, apoio pastoral e assistência jurídica. Entre as entidades estão Kies Leven, Schreeuw om Leven, NPV – Zorg voor het Leven, DCBR, Juristenvereniging Pro Vita, Stirezo, Powerful Woman, Prolife Europe, Guido de Brès‑Stichting, One of Us Nederland, Jezus Leeft e Herman Boon Ministries. “Com que direito podemos negar a vida e um futuro a crianças que ainda não nasceram? Elas também, desde o seu início, são portadoras da imagem de Deus”, afirmam as organizações na carta conjunta. O documento foi enviado a todas as igrejas da Holanda nesta terça-feira (19).
Cristão de 16 anos que foi preso em Cuba tem tratamento médico negado na prisão
O adolescente de 16 anos que foi preso em Cuba teve tratamento médico negado na prisão, causando preocupações com sua saúde. A Missão Portas Abertas denunciou o governo cubano de impedir Jonathan Muir Burgos, que sofre de uma doença dermatológica chamada disidrose, de receber cuidados enquanto permanece detido em uma penitenciária de segurança máxima. Para a organização, negar o acesso do adolescente ao tratamento é uma forma de pressionar seus pais, que lideram uma igreja evangélica não registrada. Jonathan, filho do pastor Elier Muir Ávila, não teve acesso a medicamentos desde que foi detido, conforme a Portas Abertas. Além disso, as condições precárias na prisão, incluindo uma infestação de percevejos, pioraram seu estado de saúde. Sem passar por tratamento contínuo, o adolescente cristão corre risco de desenvolver infecções que podem ser fatais. A Portas Abertas apelou ao governo cubano que Jonathan tenha acesso a cuidados médicos e pediu transparência nos processos criminais que ele enfrenta. “A situação exige solidariedade e a defesa da dignidade humana, especialmente para aqueles que são mais vulneráveis. Como Corpo de Cristo, não podemos permanecer indiferentes à situação de um de nossos membros, especialmente quando envolve um menor”, afirmou um porta-voz da organização. Jonathan Muir Burgos e seu pai Elier Muir Ávila foram detidos pela polícia em março, na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, em meio à repressão do governo comunista contra cristãos. Eles foram presos por participarem de protestos contra o governo que aconteceram em Morón, após quedas de energia constantes, e escassez de alimentos e remédios no país. Mesmo sendo menor de idade, Jonathan passou por interrogatório sobre sua presença no protesto e sobre o que ele falou na manifestação, incluindo se ele pediu por liberdade. O pastor Elier foi libertado no mesmo dia, porém seu filho permaneceu detido. Família pastoral perseguida Ativistas pela liberdade religiosa relataram que a família do pastor Elier Ávila já tem enfrentado pressão do governo por suas atividades religiosas. Ele lidera a igreja Tiempo de Cosecha, uma congregação independente não registrada. Em 2024, o pastor recebeu diversas visitas de autoridades locais, enviados pelo Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que o alertaram que somente igrejas autorizadas pelo governo podiam funcionar e apenas líderes reconhecidos pelo Estado poderiam ministrar. O Reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, afirmou que o caso recente se assemelha com a prisão do pastor Lorenzo Rosales Fajardo e seu filho adolescente após protestos em julho de 2021, em Cuba. “O governo cubano tem um longo histórico de mirar os filhos de líderes da igreja como uma tática de pressão”, afirmou a Christian Solidarity Worldwide (CSW). Perseguição em Cuba Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% dos cubanos se identificam como cristãos. A maioria é católica e cerca de 11% são evangélicos. No país, os cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Participar de cultos é permitido, mas novas igrejas não podem ser abertas. Diante da repressão, milhares de seguidores de Jesus têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas. Mesmo sob vigilância constante, essas pequenas comunidades continuam a se multiplicar e se tornam fundamentais para manter viva a fé na ilha. As igrejas domésticas são grupos cristãos que se reúnem para realizar cultos dentro das casas de pastores ou de membros da comunidade. De acordo com dados da associação ASCE Cuba, há entre 20 mil e 30 mil dessas igrejas ativas no país. Elas funcionam sem placas, sem autorização oficial e, muitas vezes, enfrentam o constante risco de repressão governamental. Cuba ocupa o 24° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.
Multidão toma as ruas de Londres em defesa da liberdade de expressão e da herança cristã
Milhares de cristãos de diversas regiões do Reino Unido participaram, no sábado (16), de uma grande mobilização em Londres marcada por orações, momentos de adoração e manifestações públicas de fé em Jesus Cristo. O evento ocorreu durante a marcha “Unite the Kingdom” (Unir o Reino, em português), organizada pelo ativista cristão Tommy Robinson, que relatou sua conversão ao cristianismo após um período na prisão em 2024, em meio a protestos anti-imigração. Em meio ao forte apelo ao cristianismo como base cultural britânica – que, segundo Robinson, estaria ameaçada pelo avanço de culturas religiosas imigrantes, como o islamismo – a marcha assumiu um tom de defesa identitária. — Tommy Robinson 🇬🇧 (@TRobinsonNewEra) May 18, 2026 O grupo, que caminhou da avenida Kingsway até as proximidades do Parlamento, protestou contra a política migratória, a insegurança pública e o que considera ameaças à liberdade de expressão. A marcha tem sido apresentada como uma demonstração em defesa da “unidade nacional, da liberdade de expressão e dos valores cristãos”. Segundo o The Guardian, o encontro também exibiu forte iconografia cristã, como cruzes, e a multidão foi convidada a recitar a oração do Senhor. Mensagens cristãs A marcha reuniu líderes religiosos, pregadores e apoiadores vindos de várias partes do país. Entre os participantes estava o pastor Rikki Doolan, líder da Good News Church, conhecido por sua atuação evangelística nas ruas do Reino Unido. Ao lado de outros cristãos, ele participou de momentos de intercessão pela nação, leitura pública da Bíblia e declarações sobre a necessidade de renovação espiritual no país. Relatos compartilhados nas redes sociais e em portais britânicos mostram muitos participantes carregando cruzes, bandeiras do Reino Unido e faixas com mensagens cristãs, enquanto grupos entoavam louvores pelas ruas da capital. Os organizadores afirmaram que o encontro teve caráter pacífico e representou uma demonstração pública de que a Igreja britânica “não ficará em silêncio” diante das transformações culturais e espirituais em curso no país. Durante o ato, orações foram feitas pelo governo britânico, pelas famílias e pelo futuro espiritual da nação. ‘Cristo é Rei’ A mobilização também chamou atenção pelo forte uso de símbolos cristãos. Em vários momentos, multidões foram vistas recitando o Pai-Nosso e proclamando frases como “Christ is King” (“Cristo é Rei”). A presença explícita da fé cristã se tornou um dos aspectos mais comentados do evento, inclusive pela imprensa britânica. Embora o evento tenha sido alvo de críticas por sua associação com Tommy Robinson – figura controversa no cenário político britânico – muitos dos participantes cristãos enfatizaram que estavam ali sobretudo para defender publicamente sua fé e expressar preocupação com o futuro espiritual do Reino Unido. Nos últimos meses, Robinson tem intensificado discursos associados ao cristianismo e promovido eventos marcados por uma combinação de linguagem política e religiosa. Estações de escuta O encontro, que reuniu cerca de 60.000 participantes, ocorreu em meio a um grande esquema de segurança montado pela polícia londrina, que acompanhava simultaneamente manifestações pró-Palestina e outros atos públicos na cidade. Grupos cristãos se uniram para montar “estações de escuta” durante as manifestações, criando espaços de diálogo com pessoas de todos os lados envolvidos nos protestos. No evento, organizadores das iniciativas Better Story, Red Letter Christians e Christians Against the Far Right afirmaram que buscavam dialogar tanto com os manifestantes quanto com aqueles afetados pelos atos, ressaltando o compromisso com a escuta em vez do confronto. Tommy Sharpe, cofundador da Better Story, disse: “Em todo o país, temos muito mais que nos une do que nos divide. Nós montamos estações de escuta hoje para tentar encontrar as áreas de terreno comum que nos unem.” Apesar de registros isolados de detenções relacionados ao evento, as autoridades classificaram o dia como majoritariamente pacífico.
Organizações cristãs atuaram durante debate que levou Senado francês a barrar eutanásia
O debate sobre a legalização da eutanásia e do suicídio assistido na França ganhou um novo capítulo nesta semana, marcado não apenas pela rejeição do Senado ao artigo central do projeto de lei, mas também pela mobilização crescente de organizações cristãs que tentam influenciar o rumo da votação. Por 151 votos a 118, os senadores derrubaram, na segunda-feira (12), o dispositivo que definiria em quais condições a assistência para morrer poderia ser autorizada. Segundo analistas da mídia francesa, a decisão que rejeitou o Artigo 2 fragiliza o texto, que ainda enfrenta a análise de cerca de 700 emendas. Apesar disso, a Casa aprovou, por 325 votos a 18, a parte que reforça o acesso aos cuidados paliativos. Isso ocorre após duas votações favoráveis na Assembleia Nacional e uma no próprio Senado, que anteriormente havia rejeitado o texto. Pressão cristã ganha força nacional Enquanto o Parlamento debate, grupos cristãos – evangélicos e católicos – intensificam esforços para barrar a legalização. O Comitê Protestante Evangélico pela Dignidade Humana (CPDH), em parceria com quatro organizações católicas, lançou a campanha “A eutanásia é abandono”, que busca mobilizar cidadãos a contatar seus parlamentares. A iniciativa oferece modelos de cartas, argumentos e materiais de apoio, incentivando especialmente cristãos a alertar deputados e senadores sobre os riscos que veem na proposta. “O Parlamento está se preparando para votar uma lei que mudará profundamente a forma como cuidamos dos mais vulneráveis”, dizem as organizações. “Por trás da palavra ‘dignidade’, existem pessoas reais. Sua voz importa, porque cuidar, apoiar e proteger as pessoas é melhor do que administrar a morte”, acrescentam. Romain Choisnet, diretor de comunicação do Conselho Nacional de Evangélicos da França (CNEF), manifestou apoio público à campanha nas redes sociais. Ele afirmou que o CNEF “também acredita que a Bíblia chama todos os cristãos a demonstrarem compaixão por aqueles que sofrem e a aliviarem seu sofrimento”. Euthanasie : 5 associations lancent une mobilisation citoyenne d’envergureLe CNEF considère également que « la Bible invite tous les chrétiens à la compassion envers celui qui souffre et au soulagement de ses souffrances ».RdP @allianceVITA https://t.co/r82gUdB2Sy — Romain CHOISNET (@comcnef) May 11, 2026 Para essas entidades, permitir a morte assistida antes de garantir cuidados adequados representa uma renúncia da responsabilidade social e ameaça valores como a fraternidade, considerados pilares da República Francesa. Próximos passos legislativos O governo pretende aprovar o texto antes do recesso de verão, mas enfrenta divergências profundas entre as duas Casas. A Assembleia Nacional deve retomar a análise em início de junho, seguida por nova leitura no Senado e uma votação final prevista para julho. Enquanto isso, a pressão cristã promete continuar – e possivelmente crescer – à medida que o debate avança e o país se aproxima de uma decisão histórica sobre o fim da vida.
STF barra lei que autorizava pais a impedir filhos em aulas sobre identidade de gênero
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar a Lei 12.479/2025, do Espírito Santo, que autorizava pais e responsáveis a impedir a participação dos filhos em atividades escolares relacionadas à identidade de gênero, orientação sexual e diversidade sexual. A maioria da Corte considerou a norma inconstitucional por entender que ela invadia competência exclusiva da União sobre diretrizes da educação nacional. O julgamento ocorreu no plenário virtual da Corte e terminou com placar de 8 votos a 2. Apenas os ministros André Mendonça e Nunes Marques votaram pela manutenção da legislação capixaba. Ideologia A ação foi apresentada pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH), que alegaram que a lei afrontava princípios constitucionais e criava uma espécie de censura pedagógica ao permitir que pais retirassem alunos de conteúdos obrigatórios por discordância moral ou ideológica. Relatora do caso, a ministra Cármen Lúcia afirmou que o Espírito Santo extrapolou os limites constitucionais ao criar regras específicas sobre conteúdos pedagógicos já disciplinados pela legislação federal. Segundo ela, a Constituição permite aos estados apenas complementar normas nacionais em situações locais específicas. Em seu voto, a ministra também sustentou que a norma feria princípios como dignidade da pessoa humana, igualdade, pluralismo pedagógico e liberdade de expressão. Para Cármen Lúcia, impedir que o Estado trate de temas ligados a gênero e sexualidade representaria restrição indevida ao debate educacional. Seu voto foi acompanhado por Luiz Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Ressalvas e divergências A lei havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo e determinava que escolas públicas e privadas informassem previamente os pais sobre atividades pedagógicas relacionadas a gênero e orientação sexual. O texto também previa que a vontade dos responsáveis deveria ser respeitada, sob pena de responsabilização civil e penal das instituições de ensino. Durante o julgamento, alguns ministros apresentaram ressalvas. Cristiano Zanin, por exemplo, acompanhou a relatora, mas destacou que conteúdos relacionados a gênero e sexualidade devem respeitar a faixa etária e o desenvolvimento emocional dos estudantes. Já André Mendonça divergiu da maioria ao defender que a lei não tratava diretamente das diretrizes da educação nacional, mas da proteção à infância e do direito das famílias de participar das decisões morais e educacionais envolvendo os filhos. O ministro afirmou que a norma “induz uma maior interação entre a família e a escola, que devem somar informações e impressões acerca do nível de desenvolvimento verificado em relação a cada criança, dotadas que são de idiossincrasias únicas e particulares, para tomada de decisão que impacta, indubitavelmente, na formação de suas próprias personalidades”. A decisão reforça entendimentos recentes do STF em casos semelhantes. Em julgamentos anteriores, a Corte já havia invalidado leis municipais que proibiam o uso de termos como “gênero” e “orientação sexual” em materiais pedagógicos da rede pública de ensino.
Investigação revela que Hamas usou violência sexual como arma no ataque de 7 de outubro
Na última terça-feira (12), uma comissão civil independente de Israel divulgou um relatório de 300 páginas que acusa o Hamas e outros grupos terroristas palestinos de praticarem violência sexual de forma “sistemática e generalizada” nos ataques de 7 de outubro de 2023 e também contra reféns mantidos em Gaza. Segundo a BBC, a investigação afirma que estupros, agressões sexuais e mutilações teriam sido usados como “instrumentos de terror” para “maximizar dor e sofrimento” das vítimas. O documento é considerado a apuração mais detalhada já publicada sobre as denúncias de violência sexual relacionadas ao ataque liderado pelo Hamas, que matou cerca de 1,2 mil pessoas em Israel e resultou no sequestro de aproximadamente 250 reféns. Para produzir o relatório, a investigação reuniu 430 entrevistas gravadas com sobreviventes e testemunhas, mais de 10 mil fotos e vídeos — incluindo registros feitos pelos próprios terroristas, além de documentos oficiais e materiais recolhidos nos locais atacados. Conforme a comissão, houve um padrão recorrente de violência sexual em diferentes locais, como o festival de música Nova, kibutzim e bases militares israelenses invadidas. Testemunhas relataram estupros coletivos, mutilações e corpos de mulheres encontrados sem roupas íntimas. Provas reunidas Além disso, o relatório revelou que muitas vítimas foram executadas logo após os abusos, frequentemente com tiros na cabeça. Um sobrevivente do festival Nova contou que foi tratado como uma “boneca sexual” pelos terroristas. Mais de 370 pessoas morreram no local, um dos pontos mais atingidos do ataque. A investigação também concluiu que abusos sexuais continuaram acontecendo contra reféns mantidos em Gaza, atingindo homens e mulheres que permaneceram em cativeiro por longos períodos. O documento descreve os casos como uma “instrumentalização da violência sexual” por parte dos terroristas palestinos. Alguns ex-reféns, como Amit Soussana, Arbel Yehud, Romi Gonen, Rom Braslavski e Guy Gilbol Dalal, já haviam relatado publicamente episódios de abuso sexual. Já outras vítimas preferiram falar apenas com médicos, terapeutas e investigadores. Entre as novas denúncias apresentadas no relatório está o caso de dois parentes jovens que teriam sido obrigados pelos sequestradores a praticar atos sexuais um com o outro. Para os autores do documento, o episódio faz parte de “um padrão distinto de violência direcionada a familiares e de exploração das relações familiares como instrumentos de terror”. A comissão concluiu que os atos descritos podem ser considerados “crimes de guerra, crimes contra a Humanidade e atos genocidas segundo o direito internacional”. As provas reunidas foram armazenadas de forma segura e poderão ser usadas em futuras investigações e ações judiciais. ‘O sofrimento não pode ser esquecido’ Apesar das evidências, o Hamas continua negando as acusações de violência sexual durante os ataques e no período de cativeiro em Gaza. Contudo, uma investigação anterior conduzida por uma representante especial da ONU para Violência Sexual em Conflitos afirmou existir “fundamento razoável” para acreditar que ocorreram crimes sexuais, incluindo estupros coletivos, durante os ataques de 7 de outubro. Os autores do novo relatório destacaram que seguiram protocolos rigorosos de verificação e não utilizaram depoimentos obtidos em interrogatórios de palestinos presos por Israel, buscando manter a independência da investigação. A comissão também informou que enfrentou dificuldades na coleta de provas, já que parte importante das evidências forenses teria sido perdida nos primeiros dias após os ataques, devido à rápida atuação das equipes de resgate e emergência nos locais atingidos. Além de servir como base para possíveis processos judiciais, o grupo observou que o relatório também busca manter um registro histórico sobre os acontecimentos de 7 de outubro. De acordo com os autores, muitas vítimas de violência sexual morreram durante os ataques e outras continuam profundamente traumatizadas, tornando essencial “garantir que o sofrimento vivido por elas não seja negado, apagado ou esquecido”.
Seca no rio Eufrates levanta debate sobre profecia bíblica do fim dos tempos
A redução drástica do nível do rio Eufrates, um dos cursos d’água mais importantes da história da humanidade e citado diretamente na Bíblia, voltou a despertar debates sobre profecias relacionadas ao fim dos tempos e à batalha do Armagedom descrita no livro do Apocalipse. Com cerca de 2.900 quilômetros de extensão, o Eufrates atravessa a Turquia, Síria e Iraque e faz parte da chamada “Crescente Fértil” – região conhecida como o “berço da civilização” –, antes de encontrar o rio Tigre e desaguar no Golfo Pérsico. Nos últimos anos, porém, o rio vem sofrendo uma queda histórica no volume de água devido às secas prolongadas, mudanças climáticas e exploração excessiva de recursos hídricos. Segundo o New York Post, autoridades do Iraque alertam que o Eufrates pode praticamente secar até 2040 caso medidas emergenciais não sejam tomadas. Dados de satélite indicam que o rio Eufrates perdeu mais de 140 km³ de água desde 2003. Biblical Armageddon prophecy begins to unfold?Satellite data confirms the river Euphrates has lost 140+ cubic km of water since 2003 and may be gone by 2040Book of Revelation says dry Euphrates opens the way for final battle — Armageddon pic.twitter.com/BfCqA3OV75 — RT (@RT_com) May 13, 2026 Livro de Apocalipse O volume das águas do rio tem diminuído em ritmo alarmante, despertando novos temores entre cristãos que acompanham sinais proféticos ligados ao livro do Apocalipse e acreditam que eles possam estar se cumprindo em tempo real. Em Apocalipse 16:12, o texto afirma: “O sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente.” Para muitos estudiosos da escatologia cristã, a passagem estaria relacionada aos acontecimentos que antecedem o Armagedom – batalha mencionada em Apocalipse 16:16 como um confronto final entre as forças do bem e do mal antes da segunda vinda de Cristo. A interpretação mais difundida entre grupos pré-milenistas é que o secamento do Eufrates abriria passagem para exércitos vindos do Oriente Médio e da Ásia rumo ao cenário da batalha final descrita na profecia bíblica. Além do Apocalipse, o rio também aparece no Antigo Testamento. Em Jeremias 50:38, há uma referência a um tempo de seca sobre suas águas: “Uma seca virá sobre as suas águas, e elas secarão”. Relatório da NASA Apesar das interpretações proféticas, especialistas afirmam que a crise atual possui causas ambientais e geopolíticas bem definidas. Um relatório da NASA já havia apontado perda gigantesca de água doce nas bacias dos rios Tigre e Eufrates entre 2003 e 2009, causada principalmente pela retirada intensa de água subterrânea e pelas mudanças climáticas. E especialistas alertam que a situação pode piorar ainda mais. Autoridades do Ministério de Recursos Hídricos do Iraque alertam que o rio Eufrates poderá secar até 2040 caso medidas urgentes não sejam adotadas. Rio Eufrates, que atravessa Turquia, Síria e Iraque, encolhe em ritmo preocupante, alimentando temores apocalípticos. (Foto: Esri) O cenário já afeta milhões de pessoas com escassez de água, perdas agrícolas e aumento de doenças relacionadas à contaminação hídrica. “Diarreia, catapora, sarampo, febre tifoide e cólera estão se espalhando pelo Iraque devido à crise hídrica, e o governo já não fornece vacinas à população”, afirmou Naseer Baqar, ativista climático e coordenador de campo da Associação de Protetores do Rio Tigre, ao BJM, segundo o jornal The Mirror. Para alguns cristãos, a redução drástica do rio vai além de uma tragédia ambiental: ela representa um sinal profético de alerta de que os acontecimentos descritos na Bíblia podem estar se aproximando. Jardim do Éden Enquanto o rio Eufrates continua perdendo volume de água diante dos olhos do mundo, outra teoria curiosa voltou a chamar atenção nos debates sobre geografia bíblica. No ano passado, uma hipótese repercutiu internacionalmente ao sugerir que o Jardim do Éden talvez não estivesse localizado na antiga Mesopotâmia – região correspondente ao atual Iraque, como tradicionalmente se acredita –, mas no Egito, possivelmente nas proximidades da Grande Pirâmide de Gizé. A teoria, publicada na revista “Archaeological Discovery” pelo engenheiro de computação Dr. Konstantin Borisov, sustenta que o rio descrito no Jardim do Éden – mencionado em Gênesis como dividido em quatro braços – poderia estar relacionado não apenas ao Tigre e ao Eufrates, mas também ao Nilo e ao rio Indo. “Ao examinar um mapa datado de aproximadamente 500 a.C., torna-se evidente que os únicos quatro rios que emergem do oceano circundante são o Nilo, o Tigre, o Eufrates e o Indo”, escreveu Borisov. Árvore da Vida O pesquisador foi além e sugeriu que a própria Grande Pirâmide do Egito poderia ter relação simbólica com a “Árvore da Vida” descrita no Éden. Segundo ele, simulações da estrutura interna da pirâmide revelariam padrões semelhantes a ramificações de árvores e até emissões luminosas em tons de verde e roxo. Borisov também citou escritos antigos e mapas medievais – como o Hereford Mappa Mundi e registros do historiador Flávio Josefo – para sustentar uma releitura mais ampla da geografia bíblica. De acordo com sua interpretação, a localização tradicional do Jardim do Éden na região do atual Iraque talvez não explique completamente a narrativa descrita em Gênesis. “Neste ponto, todos os rios mencionados na Bíblia já teriam sido identificados, e talvez baste seguir o curso do rio Oceano ao redor do planeta para determinar a localização do Éden”, escreveu o pesquisador. Apesar disso, o próprio Borisov reconheceu que ainda existe uma questão sem resposta: o trajeto exato desse rio descrito na narrativa bíblica.